Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais à frente da Ecodust Ambiental, observa uma mudança de postura que começa a se consolidar em empresas e municípios brasileiros mais avançados: a gestão de resíduos deixou de ser tratada como obrigação regulatória e passou a ser reconhecida como componente estratégico do desenvolvimento sustentável. Essa transição muda completamente a lógica com que decisões de investimento, operação e comunicação são tomadas no setor.
Durante décadas, a relação entre empresas e resíduos foi definida pela lógica do custo mínimo: gastar o menor valor possível para dar destinação adequada ao que sobrava do processo produtivo, cumprindo a lei sem se envolver mais do que o necessário. Na realidade, essa abordagem ainda predomina em muitos setores, mas está sendo progressivamente substituída por uma visão em que o resíduo é tratado como recurso, a conformidade como patamar mínimo e a inovação ambiental como fonte de valor.
Como a gestão de resíduos virou diferencial competitivo?
De acordo com Marcello José Abbud, a mudança começa pela cadeia de fornecimento. Grandes empresas globais, especialmente nos setores de alimentos, cosméticos, moda e eletrônicos, passaram a exigir de seus fornecedores a comprovação de práticas adequadas de gestão de resíduos como condição de contrato. Fornecedores brasileiros que não conseguem documentar destinação adequada, índices de reciclagem ou programas de redução de geração estão sendo excluídos de cadeias que representam mercados de alto valor agregado.
Esse movimento criou um incentivo econômico direto para que empresas de médio porte invistam em gestão de resíduos além do mínimo legal. Não por pressão regulatória, mas por pressão de mercado, que tende a ser mais eficaz e mais rápida do que a fiscalização pública na mudança de comportamento corporativo.
Desenvolvimento sustentável além do discurso: o que os dados mostram?
Empresas que integram a gestão de resíduos às suas estratégias de desenvolvimento sustentável de forma genuína apresentam métricas concretas que as distinguem das que apenas comunicam compromissos. Redução mensurável do volume enviado a aterros ano a ano, crescimento do percentual de resíduos valorizados, queda nos custos de destinação como proporção da receita e rastreabilidade completa do ciclo de vida dos materiais são indicadores que aparecem nos relatórios das organizações mais avançadas e que investidores com critérios ESG rigorosos utilizam para distinguir substância de narrativa.

Marcello José Abbud e a Ecodust Ambiental têm contribuído para que empresas estruturem esse tipo de monitoramento, desenvolvendo sistemas de diagnóstico e acompanhamento que transformam a gestão de resíduos de atividade operacional em dado estratégico.
O papel das cidades no desenvolvimento sustentável local?
Municípios que avançam na gestão de resíduos não apenas cumprem obrigações legais. Isso porque eles criam condições para atrair investimentos que exigem infraestrutura ambiental adequada, reduzem custos de saúde pública associados à destinação inadequada e constroem reputação que facilita o acesso a financiamentos nacionais e internacionais com critérios ambientais.
De acordo com Marcello José Abbud, cidades como Curitiba, no Brasil, e Kamikatsu, no Japão, demonstraram que investimento consistente em gestão de resíduos ao longo de décadas gera retornos que vão muito além do ambiental, incluindo turismo, atração de empresas e melhora nos índices de qualidade de vida que afetam diretamente a arrecadação municipal.
A próxima fronteira: integração entre sustentabilidade, dados e decisão
O estágio mais avançado da gestão sustentável de resíduos está na integração entre dados operacionais em tempo real e tomada de decisão estratégica. Plataformas que monitoram geração, coleta, triagem e destinação de forma integrada permitem identificar ineficiências e otimizar processos com velocidade impossível em sistemas manuais.
Marcello José Abbud identifica nessa convergência entre inovação tecnológica e gestão ambiental uma das maiores oportunidades para empresas e municípios que querem transformar o desenvolvimento sustentável de conceito em resultado mensurável. O diferencial competitivo do futuro não estará apenas em fazer certo, mas em conseguir provar, com dados, que está fazendo certo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
