O desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma redução em relação aos 5,6% registrados no trimestre encerrado em maio e também ficou abaixo do índice observado no mesmo período de 2025.
De acordo com a Agência Brasil, essa foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série histórica, em 2012. O levantamento também apontou recordes no número de pessoas ocupadas, de trabalhadores com carteira assinada, na massa de rendimentos e na quantidade de contribuintes para a Previdência Social.
Mercado de trabalho alcança novos recordes
Os resultados da PNAD Contínua indicam uma melhora disseminada em diferentes dimensões do mercado de trabalho. Além da queda na proporção de pessoas que procuram emprego sem encontrar uma vaga, o país atingiu o maior número de ocupados já registrado pela pesquisa, conforme os dados divulgados para o trimestre encerrado em agosto.
O avanço também foi observado entre os empregados com carteira assinada. Esse grupo alcançou um recorde no período, assim como a massa de rendimentos do trabalho, indicador que reúne a renda recebida pelos trabalhadores. O número de contribuintes para a Previdência também atingiu o maior patamar da série, sinalizando expansão da parcela de trabalhadores que realiza contribuições ao sistema previdenciário.
Apesar do cenário positivo, a informalidade continua sendo um dos principais desafios. Ela alcançou 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas. Esse resultado mostra que a redução do desemprego ocorre em um mercado que ainda reúne uma parcela expressiva de trabalhadores fora de vínculos formais e da proteção associada ao emprego com carteira.
Emprego formal cresce em agosto
Os dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no mesmo dia, reforçam a expansão do emprego com registro formal. Em agosto, foram criados 165.827 postos de trabalho, resultado de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos no mês.
Com o desempenho de agosto, o país acumulou 1.134.033 novas vagas formais entre janeiro e agosto de 2026. O setor de serviços liderou a geração de empregos no acumulado do ano, com 697.859 postos. Na sequência apareceram a construção, com 200.431 vagas, e a indústria, responsável pela abertura de 170.442 postos.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, São Paulo apresentou o maior saldo absoluto entre os estados em agosto, com 42.533 novos postos. Rio de Janeiro e Pernambuco também ficaram entre as unidades da federação com destaque na criação de empregos formais no mês.
PNAD e Caged medem realidades diferentes
Embora tenham sido divulgados na mesma data e apontem para um mercado de trabalho mais aquecido, os dois levantamentos não medem exatamente o mesmo fenômeno. A PNAD Contínua acompanha a população ocupada e desocupada em uma abrangência ampla, incluindo trabalhadores com carteira, informais, autônomos e outras formas de inserção profissional.
Já o Novo Caged acompanha as movimentações de empregos formais registradas pelas empresas, considerando admissões e desligamentos. Por isso, os dados das duas pesquisas devem ser analisados de maneira complementar: a PNAD mostra o comportamento geral da ocupação no país, enquanto o Caged ajuda a dimensionar a criação de vínculos formais.
Na prática, a queda do desemprego não significa que todas as novas ocupações tenham carteira assinada. O resultado da PNAD inclui diferentes modalidades de trabalho, e a taxa de informalidade de 37,5% evidencia que milhões de brasileiros ainda atuam sem as garantias normalmente associadas ao emprego formal, como férias remuneradas, 13º salário e acesso ao seguro-desemprego.
Impacto para trabalhadores e famílias
A combinação entre mais ocupação, aumento da renda do trabalho e criação de vagas formais pode influenciar o consumo das famílias, o acesso ao crédito e a capacidade de pagamento de despesas. O crescimento do número de contribuintes também tem impacto sobre a arrecadação previdenciária e a sustentabilidade do sistema no longo prazo.
Ao mesmo tempo, a permanência da informalidade indica que a recuperação do mercado de trabalho ainda é desigual. O desafio não está apenas em reduzir o desemprego, mas também em ampliar a qualidade das ocupações, garantir maior estabilidade e incluir mais trabalhadores na proteção previdenciária e trabalhista.
Os números divulgados em 29 de setembro de 2026, portanto, mostram um quadro de melhora simultânea na ocupação geral e no emprego formal. A evolução positiva convive, porém, com a necessidade de reduzir a informalidade e assegurar que o crescimento das oportunidades alcance diferentes setores e regiões do país.
