O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu manter a taxa de juros de política monetária em 5,50% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária em 21 de setembro de 2026 e acompanha a avaliação de que a economia paraguaia continua em trajetória favorável, apesar das incertezas no ambiente internacional.
Segundo o Banco Central do Paraguai, os principais riscos externos estão relacionados à evolução dos preços do petróleo, às tensões geopolíticas e às condições financeiras internacionais. A autoridade monetária também manteve a projeção de crescimento de 4,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2026.
Atividade econômica mostra expansão
O comunicado do BCP aponta que o Indicador Mensal de Atividade Econômica do Paraguai (IMAEP) cresceu 5,5% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No período, o Estimador de Cifras de Negócios avançou 4,2%, sinalizando continuidade da movimentação em diferentes segmentos da economia.
Entre as áreas destacadas pelo banco estão serviços, eletricidade e água, manufaturas, agricultura, comércio de veículos, produtos farmacêuticos e alimentos. O conjunto dos resultados foi considerado compatível com a manutenção de uma perspectiva positiva para a atividade econômica paraguaia ao longo do ano.
A projeção oficial de 4,5% para o PIB de 2026 também coincide com a percepção dos agentes consultados pelo próprio BCP. Na Pesquisa de Expectativas de Variáveis Econômicas de setembro de 2026, os participantes mantiveram a estimativa de expansão de 4,5% neste ano e projetaram crescimento de 4% para 2027.
Inflação permanece no centro da política monetária
Além da atividade, o BCP acompanha a trajetória dos preços. A previsão indicada no comunicado é de inflação de 3,3% até o fim de 2026, enquanto a meta de inflação permanece em 3,5% no horizonte considerado pela política monetária.
A manutenção dos juros sugere que o comitê avaliou como adequado preservar o atual nível da taxa neste momento, sem anunciar uma nova redução ou elevação. A decisão, contudo, não significa que os custos de crédito para consumidores e empresas mudarão imediatamente na mesma proporção, já que as condições praticadas pelas instituições financeiras dependem de fatores como risco, liquidez e concorrência no mercado.
Impactos para crédito, empresas e investimentos
Na prática, a taxa de política monetária serve como uma referência para o ambiente financeiro do Paraguai. A permanência em 5,50% tende a oferecer previsibilidade para bancos, empresas e consumidores, mas não permite concluir, isoladamente, que financiamentos ou empréstimos ficarão mais baratos.
Para as empresas, a perspectiva de crescimento pode favorecer decisões relacionadas a produção, estoques e investimentos, especialmente nos setores que apresentaram desempenho positivo no levantamento do BCP. Já para as famílias, a evolução da inflação e das condições de crédito continuará sendo relevante para o consumo e para a contratação de financiamentos.
Investidores também devem observar a combinação entre juros, inflação, atividade econômica e cenário externo. Variações nos preços internacionais do petróleo, mudanças nas condições financeiras globais ou o agravamento de tensões geopolíticas podem alterar as perspectivas e influenciar futuras decisões do banco central.
Perspectiva para o Paraguai em 2026
Com a taxa básica preservada, a projeção de inflação abaixo da meta e a estimativa de crescimento de 4,5%, o BCP mantém uma sinalização de confiança moderada na economia paraguaia. Ao mesmo tempo, o comunicado reforça que o cenário depende da evolução de fatores que estão fora do controle direto da autoridade monetária.
O desempenho registrado em julho e as expectativas coletadas em setembro sustentam a avaliação de que o Paraguai deve continuar crescendo em 2026. A próxima trajetória dos juros, porém, dependerá dos novos dados de atividade, inflação e do comportamento do ambiente econômico internacional.
