Encontro no Palácio da Alvorada abre caminho para medidas provisórias, mas propostas como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública continuam sem previsão de votação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nesta semana em Brasília em uma tentativa de melhorar a articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso. O encontro ocorre em um momento decisivo para o governo, que busca fazer avançar propostas consideradas importantes antes que a campanha eleitoral de 2026 reduza ainda mais o ritmo das votações no Legislativo. (Folha de S.Paulo)
A conversa aconteceu no Palácio da Alvorada e contou também com a participação de integrantes da articulação política governista. De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira, 12 de agosto, um dos resultados foi o encaminhamento para a instalação de comissões mistas responsáveis pela análise de seis medidas provisórias. (Folha de S.Paulo)
A movimentação representa uma melhora no diálogo entre Lula e Alcolumbre depois de meses de dificuldades na relação entre o Executivo e o comando do Senado. Para o governo, recuperar esse canal é especialmente importante porque diversas propostas dependem diretamente de decisões tomadas dentro da Casa.
Medidas provisórias começam a avançar
Entre os assuntos tratados está a medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas”, cobrança envolvendo compras internacionais de pequeno valor. A instalação da comissão responsável pela análise da MP é necessária para que o texto avance no Congresso antes de perder a validade. (Folha de S.Paulo)
Outras matérias econômicas também aparecem entre as prioridades. Uma delas envolve a possibilidade de utilizar receitas relacionadas ao petróleo para financiar uma redução de tributos incidentes sobre combustíveis. O tema ganha importância política porque alterações na tributação podem afetar diretamente os preços pagos pelos consumidores por gasolina, diesel e etanol. (Folha de S.Paulo)
Também estão na agenda propostas como o Profert e medidas de natureza tributária relacionadas à Copa do Mundo Feminina de 2027. O esforço do governo é aproveitar o período de funcionamento concentrado do Congresso para encaminhar matérias antes que deputados e senadores intensifiquem suas atividades eleitorais nos estados. (Folha de S.Paulo)
Fim da escala 6×1 continua sem data
Apesar da reaproximação, uma das principais bandeiras defendidas pelo governo continua sem calendário definido: a proposta que busca acabar com a escala de trabalho 6×1. A matéria já vinha enfrentando dificuldades no Senado e permanece sem previsão concreta de votação. (Folha de S.Paulo)
Alcolumbre já havia indicado anteriormente que a proposta deveria passar pelas comissões da Casa antes de chegar ao plenário. Em junho, o presidente do Senado afirmou que senadores cobravam a análise das matérias por pelo menos uma comissão e defendeu mudanças no texto recebido pela Casa. (Agência Brasil)
Nas últimas semanas, cresceu a possibilidade de a votação ficar para depois das eleições. Informações divulgadas nesta quarta-feira indicam que Alcolumbre não se comprometeu a colocar a proposta em votação antes do pleito e que o assunto poderá voltar à agenda a partir de novembro. (Folha de S.Paulo)
PEC da Segurança também permanece pendente
Outra proposta considerada estratégica pelo Planalto é a PEC da Segurança Pública. O governo tenta construir apoio para mudanças que ampliem a coordenação nacional das políticas de segurança e fortaleçam o combate ao crime organizado, mas o texto também permanece sem previsão definida de votação no Senado. (Folha de S.Paulo)
A demora já vinha preocupando integrantes da base governista. Antes do recesso parlamentar, o governo tentou acelerar tanto a PEC da Segurança quanto a proposta sobre a escala 6×1, mas enfrentou dificuldades para obter um compromisso do comando do Senado sobre o calendário das matérias. (CNN Brasil)
O cenário eleitoral torna essa negociação ainda mais complexa. Com a campanha se aproximando, parlamentares passam a dedicar mais tempo às disputas em seus estados, reduzindo a disponibilidade para votações presenciais e para temas capazes de provocar divisões entre governo, oposição e setores econômicos.
Reaproximação pode mudar relação com o Senado
O encontro também possui significado político porque Lula e Alcolumbre atravessaram um período de afastamento. O impasse em torno de pautas governistas aumentou a tensão entre aliados do Planalto e o presidente do Senado, chegando a provocar críticas públicas relacionadas à demora na tramitação da proposta da escala 6×1. (Exame)
Agora, Alcolumbre tem dado sinais de reaproximação. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, aliados avaliam que existe disposição para reconstruir pontes com o Planalto, embora isso não signifique alinhamento automático às prioridades do Executivo. (Folha de S.Paulo)
O resultado prático da reunião, portanto, deve ser medido pelo avanço das matérias nas próximas semanas. A instalação das comissões para analisar medidas provisórias representa um primeiro movimento, mas os projetos politicamente mais relevantes continuam dependentes de negociações adicionais.
Para Lula, conseguir destravar parte dessa agenda pode ser importante não apenas para a reta final do atual mandato, mas também para a disputa eleitoral. Já para Alcolumbre, manter controle sobre o ritmo das votações reforça o papel institucional do Senado em um momento no qual governo e oposição buscam transformar decisões do Congresso em argumentos de campanha.
Com o Legislativo em ritmo de esforço concentrado antes da intensificação das eleições, a janela para aprovar propostas mais complexas está cada vez menor. A reunião entre Lula e Alcolumbre reduziu parte da tensão política e abriu caminho para algumas matérias, mas temas de grande repercussão — especialmente o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública — continuam sem uma data definida para chegar à votação. (Folha de S.Paulo)
Fontes
Folha de S.Paulo — 12 de agosto de 2026: reportagem sobre a reunião entre Lula e Alcolumbre e as pautas discutidas.
Lula recebe Alcolumbre e destrava parte da pauta eleitoral
Agência Brasil — 3 de junho de 2026: posicionamento de Alcolumbre sobre a tramitação da proposta relacionada à escala 6×1.
Alcolumbre sugere mudanças e defende passagem da PEC pelas comissões
CNN Brasil — 8 de julho de 2026: dificuldades enfrentadas pelo governo para avançar com a proposta no Senado.
Governo vê dificuldades para avanço da 6×1
