Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues pontua que a mamografia não é um exame “exclusivo” de mulheres, embora essa associação seja comum por causa da epidemiologia do câncer de mama. Homens também têm tecido mamário e podem apresentar sintomas que exigem investigação por imagem. Da mesma forma, pessoas trans podem precisar de avaliação específica conforme sua anatomia, histórico de cirurgias, uso de hormônios e presença de fatores de risco.
Quando o cuidado é organizado com acolhimento, o exame deixa de ser um evento constrangedor e passa a ser uma etapa objetiva de um percurso de saúde. Isso importa porque, em grupos que enfrentam estigma ou pouca informação, a demora em buscar avaliação costuma aumentar incertezas e piorar a experiência, mesmo quando o desfecho é benigno.
Quando a mamografia pode ser indicada para homens
Em homens, a mamografia aparece com mais frequência como exame diagnóstico, não como rastreamento de rotina. O motivo típico é a presença de nódulo palpável, secreção papilar, retração, assimetria nova ou alterações de pele na região mamária. Também pode ser útil para diferenciar ginecomastia de outras condições, especialmente quando há um achado unilateral ou endurecido que foge do padrão esperado.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues frisa que a escolha do método depende da pergunta clínica. Em muitos casos, o ultrassom entra como primeira etapa, principalmente quando a mama é pequena e o alvo é superficial, embora a mamografia tenha valor quando se busca caracterizar calcificações, padrões estruturais e sinais específicos. Quando existe suspeita relevante, a imagem orienta o próximo passo, que pode incluir biópsia guiada e correlação com avaliação clínica.
Particularidades do atendimento a pessoas trans na imagem mamária
Pessoas trans podem precisar de protocolos ajustados, considerando o tecido mamário presente e intervenções prévias. Mulheres trans que usam terapia hormonal podem desenvolver tecido mamário e, conforme fatores individuais, podem precisar de acompanhamento por imagem em linha com recomendações de risco, sempre contextualizadas. Já homens trans podem ter mantido tecido mamário após cirurgias de afirmação de gênero, ou podem não ter realizado cirurgia, o que muda completamente a estratégia.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues pontua que o mais importante é não partir de modelos prontos. Perguntas simples no agendamento, como histórico de mastectomia, presença de tecido residual, uso atual de hormônios, queixas e fatores familiares, orientam o melhor exame e evitam frustrações no dia do procedimento. Além disso, ajustar linguagem e registro do nome social melhora o fluxo e reduz evasão, porque a experiência do atendimento interfere diretamente na adesão.
Técnica, desconforto e preparação para o exame
A técnica da mamografia em homens e em algumas pessoas trans pode exigir posicionamento cuidadoso por conta do menor volume de tecido mamário. Isso não significa que o exame seja “impossível”, e sim que a equipe precisa estar preparada para obter imagens úteis sem repetir etapas desnecessariamente. Em geral, conforto e privacidade ganham ainda mais importância, pois a expectativa de constrangimento costuma ser alta.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues orienta que levar exames anteriores, informar cirurgias, uso de hormônios, medicações e sintomas com clareza ajuda a equipe a planejar a execução e a leitura. Além disso, alinhar o que vai acontecer, como será a compressão e qual é o objetivo do exame tende a reduzir tensão, o que melhora até a cooperação durante o procedimento.
Acolhimento como componente técnico do diagnóstico
Em saúde, acolhimento não é “gentileza opcional”, é parte do cuidado que sustenta a qualidade do diagnóstico. Se a pessoa evita o exame por medo de julgamento, o risco de atraso aumenta, e isso é um problema tanto para condições benignas quanto para quadros que exigem intervenção. Em ambientes bem treinados, a experiência se torna previsível, objetiva e respeitosa, com privacidade, comunicação adequada e orientação clara sobre o laudo e os próximos passos.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues enfatiza que critérios clínicos, técnica consistente e atendimento acolhedor devem caminhar juntos. Dessa forma, a mamografia pode cumprir sua função de esclarecer sintomas, orientar condutas e fortalecer a prevenção, inclusive em públicos que historicamente foram pouco contemplados na comunicação em saúde.
Autor: Irina Nikitina
